O Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA) realizou na semana passada um webinar inédito voltado à formação de povos originários em empreendedorismo, inovação e startups da natureza. A iniciativa reuniu 75 indígenas, representantes de mais de 30 etnias diferentes, consolidando-se como um espaço estratégico de troca de conhecimentos, valorização dos saberes tradicionais e estímulo à geração de renda a partir da floresta em pé.
Com 12 horas de carga horária distribuídas ao longo de quatro dias, a programação abordou temas como conceitos de startups, captação de investimentos, inovação, modelos de negócios sustentáveis e formatos de trabalho colaborativo envolvendo governo, instituições e outros atores do ecossistema de bioeconomia. O objetivo foi oferecer ferramentas práticas para que iniciativas desenvolvidas nos territórios possam avançar em estruturação, formalização e parcerias.
A formação foi conduzida Ceo da Tropos AMZ, aceleradora hospedada no Espaço CBA de Inovação, Daniel Goetnauer. Segundo o facilitador, o treinamento evidenciou o potencial dos negócios da floresta desenvolvidos dentro de territórios, áreas de preservação e aldeias.
“Durante quatro dias, conseguimos explorar vários assuntos sobre startups, captação de investimento e formatos de trabalhos colaborativos envolvendo instituições parceiras, como governo e outros atores. Foi um processo de transferência de conhecimento sobre empreendedorismo, startups e inovação para os povos originários. Ficou evidente o potencial dos negócios da floresta, trabalhados dentro dos territórios, e como essas iniciativas chamaram bastante atenção ao longo do treinamento”, destacou ele.
A metodologia do webinar foi construída de forma colaborativa pelo CBA, sob a coordenação da Diretoria de Bionegócios e do Espaço CBA de Inovação (ECBAI). Para Fabiana Rocha, responsável pela concepção metodológica da formação, o cuidado com a linguagem e a aplicabilidade dos conteúdos foi um diferencial.
“A metodologia foi pensada para dialogar com a realidade dos territórios, respeitando os saberes tradicionais e, ao mesmo tempo, oferecendo ferramentas práticas de empreendedorismo e inovação. Nosso objetivo foi criar um ambiente de aprendizado acessível, que realmente contribuísse para fortalecer iniciativas já existentes e abrir novos caminhos para os povos originários”, afirmou a gestora do ECBAI.
Entre os participantes esteve Tancredo Paulino Guajajara, membro da aldeia Buritirana 1, localizada no Estado do Maranhão, que ressaltou a importância prática da formação para sua realidade comunitária.
“Aprendi muito com esse webinar do CBA e achei muito importante para dar conhecimento e entender como fazer daqui pra frente, tanto para mim quanto para a minha comunidade”, afirmou ele.
A comunidade atua no reflorestamento das áreas que ocupa, com o cultivo de açaí, buriti e mangaba, conciliando conservação ambiental e geração de renda. Segundo Tancredo, as informações repassadas no webinar ampliam as condições de formalização das atividades e fortalecem as possibilidades de firmar parcerias institucionais e comerciais.

Outra participante foi Nair Gonçalves, mulher indígena do povo Tariana, artesã criativa e fundadora da marca sustentável Inaru Eyawa. Natural do município de São Gabriel da Cachoeira, localizado na região do Alto Rio Negro (AM) e morando atualmente em Novo Airão, município distante 100 quilômetros de Manaus, ela desenvolve acessórios autorais em parceria com o estilista Sioduhi.
“Participar desse webinar foi de suma importância, muito enriquecedor e atendeu plenamente às minhas expectativas. Eventos como esse nos dão um direcionamento para desenvolvermos melhor o nosso trabalho”, destacou Nair.
Para o diretor de Bionegócios do CBA, Carlos Henrique Carvalho, a iniciativa reforça o compromisso institucional do Centro com a bioeconomia amazônica.
“Essa iniciativa evidencia o compromisso institucional do CBA com o fortalecimento da bioeconomia amazônica, reconhecendo os povos originários como protagonistas de soluções inovadoras, sustentáveis e alinhadas à conservação da floresta, à valorização cultural e ao desenvolvimento dos territórios”, afirmou Carlos.
Como desdobramento da formação, os participantes passarão a ser acompanhados pelo CBA e pela Tropos AMZ, em uma etapa voltada ao fortalecimento prático das iniciativas apresentadas durante o webinar. O acompanhamento prevê a identificação das necessidades específicas de cada participante, com foco inicial nos indígenas que já integram associações ou cooperativas, a fim de avaliar de que forma poderão receber mentorias, orientações técnicas e apoio na estruturação dos negócios, ampliando as condições de formalização, parcerias e acesso a oportunidades no ecossistema da bioeconomia.
Texto: Tereza Teófilo – CBA
Fotos: Divulgação CBA


