Encontro no CBA discute bioeconomia, biodiversidade e ciência aplicada ao desenvolvimento sustentável

Agenda estratégica foi realizada pela primeira vez em Manaus e reforçou o apoio do Centro às deep techs

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Referência na conexão entre ciência, biodiversidade amazônica e mercado de inovação de base tecnológica, o Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA) sediou a 3° edição do Fórum Brasileiro de Deep Techs, na tarde desta terça-feira (29). O evento foi realizado pela primeira vez em Manaus, com patrocínio da “Natura” e organizado pela “Wylinka”, uma instituição sem fins lucrativos que transforma conhecimento científico em inovação, em parceria com a “Caos Focado”. O objetivo foi discutir o futuro da inovação científica e tecnológica no Brasil, em torno de uma agenda estratégica que uniu bioeconomia, biodiversidade e ciência aplicada ao desenvolvimento sustentável.

O fórum reuniu especialistas, pesquisadores, empreendedores e agentes públicos. A abertura foi feita pelo diretor de Operações do CBA, Caio Perecin, que ressaltou a trajetória importante do Centro nas últimas duas décadas e, principalmente, o trabalho realizado há dois anos por um consórcio formado pela Fundação Universitária de Estudos Amazônicos (Fuea), Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT-SP).

“O objetivo é tornar o CBA um construtor ativo de bionegócios, apoiando produtores rurais, cooperativas e startups que trabalham diretamente com a biodiversidade da floresta”, sintetizou Caio.

A programação do evento foi aberta com dois painéis. O primeiro trouxe o tema “Articulação e descurocratização – Amazônia inovadora: como integrar políticas ambientais, ciência e mercado?”. Já o segundo discutiu sobre “Financiamento e recursos- Financiando a bioeconomia: como viabilizar startups de impacto socioambiental na Amazônia”.

Nas discussões sobre financiamento para startups de impacto socioambiental na Amazônia, o diretor de Bionegócios do CBA, Carlos Henrique Carvalho, destacou os principais desafios para viabilizar esses negócios.

Para ele, o primeiro desafio é a logística em um estado de dimensões continentais com infraestrutura precária, que afeta também áreas como saúde e educação, impactando diretamente o desenvolvimento das startups.

Outro “entrave” importante citado pelo diretor está ligado à questão da segurança, especialmente relacionada ao narcotráfico que compromete as cadeias produtivas no interior do estado. Além disso, Carlos Henrique também fez comentários sobre capacitação adequada e assimetria de informação entre empreendedores de Deep Techs e investidores, tanto na compreensão dos modelos de negócio quanto nos níveis de investimentos.

“O papel do CBA é mitigar esses desafios, conectando conhecimento técnico às cadeias produtivas locais para fomentar esses negócios”, salientou o diretor de Bionegócios do CBA.

Conexão
A diretora-presidente da Wylinka, Ana Carolina Calçado, observou que o
CBA, como uma instituição de pesquisa, é fundamental na região amazônica, porque abre as portas para esse debate, unindo os atores locais para que possam conversar, alinhar esforços e criar ações conjuntas que beneficiem a região e sua riqueza natural, conectando a ciência tradicional de laboratório com os saberes locais da floresta e da biodiversidade.

“Nosso objetivo é fomentar a colaboração e encontrar soluções conjuntas para destravar o desenvolvimento do sistema de inovação e promover o desenvolvimento socioeconômico local”, pontuou Ana Carolina.

Pesquisas
Durante o evento o CBA apresentou duas de suas importantes linhas de pesquisa e inovação: a ETherna Biotech, que aplica biotecnologia a ativos amazônicos para desenvolver soluções voltadas ao envelhecimento saudável, e a Dárvore, empresa que utiliza nanotecnologia para encapsular óleos vegetais como andiroba e copaíba, promovendo liberação controlada e maior eficácia em produtos cosméticos de hidratação e regeneração da pele.

Inovação
As deep techs são startups ou iniciativas baseadas em pesquisa científica robusta e tecnologias disruptivas, como biotecnologia, nanotecnologia, inteligência artificial, novos materiais e engenharia avançada. Seu diferencial está em resolver problemas complexos e estruturais da sociedade e do meio ambiente, com barreiras tecnológicas altas, tempo de maturação maior e grande potencial de impacto.
Esse tipo de inovação exige ambientes colaborativos, apoio institucional e articulação entre centros de pesquisa, governo e iniciativa privada, tornando eventos como o Fórum Brasileiro de Deep Techs essenciais para impulsionar conexões estratégicas e o surgimento de novos negócios de base científica.

Catalizador
Organização social vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o CBA atua como catalisador de eventos como o Fórum Brasileiro de Deep Techs, incentivando o surgimento de bionegócios sustentáveis baseados em ciência, com apoio a startups, pesquisadores e cadeias produtivas da floresta. A edição de Manaus reforçou a importância da Amazônia como espaço de experimentação e inovação tecnológica com impacto ambiental, social e econômico.

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